Lilypie 6th to 18th Ticker

Ilha de Lia

gracinhas, birras e tiradas geniais (ou: corujices de mãe)



Segunda-feira, Março 20, 2006

crise

Manhê, eu achava mais legal quando você tava grávida, sabia? Porque aí dava pra abraçar e beijar a irmã sem ter que ficar tomando cuidado o tempo todo...

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-Lia? A mamãe tá ligando pra avisar que vai chegar mais tarde porque com essa chuva não dá pra sair na rua com a Dorinha....
-Ué, larga a Dorinha aí e vem só você, oras.


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-Mãe, esse negócio de irmã não dá certo, não.
-Por quê, Lia?

Porque agora quando você fala 'filha' eu fico toda confusa, sem saber qual é a filha.

disse a mãe da Lia, às 7:30 PM Quer corujar também?


Domingo, Março 12, 2006

socorram-me subi no ônibus em marrocos

Na semana em que a irmã nasceu, coincidência ou não, a Lia deu um susto na gente ao sair lendo tudo quanto é placa na rua, no metrô, o cardápio do restaurante... As letras e sons ela já conhecia havia um bom tempo, e escrevia também (como tá nos bilhetes corujamente postados aqui mesmo) mas agora parece que aconteceu o tal clique da leitura de que as escolinhas construtivistas (todas são, né?) falam tanto.

Além da certa correria pra engavetar o material escrito... hm... 'adulto' que ainda estava em locais medianamente acessíveis da casa (hihihi), temos tido o trabalho extra de ir explicando, rua afora, nomes de marcas, regras da civilidade urbana e outras coisas complexas deste mundão sem porteira. E então hoje, já esperando o táxi pra voltar pra casa, lá veio a enésima pergunta do dia:

- Ô manhê, o que que é SUBINO?
- Ahn? Cadê isso, Lia?

Ali, mãe, su-bi-no.


Depois de quase quebrar a cabeça vasculhando todas as placas e letreiros num raio de 50m (olho de criança enxerga looonge) e pensando em todas as trocas de letras que podiam ter sido feitas, eu já ia me dar por vencida quando olhei pro asfalto e tava lá pintado na pista (e de cabeça pra baixo, ainda por cima): ONIBUS.*
*o que eu ouvi dizer foi que as crianças canhotas demoram mais a assimilar o conceito de lateralidade e a parar definitivamente de escrever (ou ler, no caso) espelhado. Ou algum outro blablablá equivalente lá da escolinha construtivista ;).

disse a mãe da Lia, às 1:14 AM Quer corujar também?


junk food mirim

Num daqueles papos sobre 'o que a maternidade me ensinou' eu poderia dizer que, precocemente, já aprendi muito bem a não esquentar tanto a cabeça com comida. Apesar da impressão que podem causar o arroz integral diariamente na mesa e os sucos servidos sempre sem açúcar, a mãe-xiita-natureba não habita mais este corpo que vos fala, não.

Porque em quase 5 anos deu tempo de sobra pra constatar que a média de um chilique por jujuba da festinha de aniversário pode render, no máximo, rugas e uma conta salgadinha do analista do rebento daqui a mais meia década. O que eu penso hoje em dia é que a bebezice é a grande zona de perigo da coisa toda, merece vigilância máxima, e que dos dois, três anos em diante só resta a você confiar na sua ação de guerra inicial e entregar a Deus mesmo.
E foi nesse clima que depois de marcar vários X na coluna do yes! uhuuu!!! a cada refrigerante recusado nos últimos tempos, a cada súplica por mais brócolis ou reclamação porque não tem salada no jantar, hoje enfim chegou a hora de estrear a coluna do puuutz quando na maior naturalidade, na mesa do Franz Café, a Lia abriu um daqueles saquinhos de catchup pra encharcar o pão de queijo que tava comendo.

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- Então se amanhã é domingo eu vou querer acordar bem cedo pra...
- Já sei, comer pastel de bacalhau na feira!
(que, disputadíssimo, costuma terminar antes das 11h)*
- Que nada, o meu vai ser é de catupiry!

- Mas, Lia, você por acaso sabe o que é catupiry???
- ...


E pra conferir se o tal do catupiry, com esse nome tão sonoro, afinal é vegetal, mineral ou animal, a pequena terá que aguardar as cenas do próximo capítulo.
*NO MORE mãe-natureba-xiita, eu disse, caso alguém tenha pulado ou duvidado dessa parte.

disse a mãe da Lia, às 12:58 AM Quer corujar também?


brincando de médico

- Aí seu braço machucou e vai ter que botar este curativo aqui (o saquinho dos talheres do restaurante, prontamente reciclado).
- Mas é muito grave, doutora?

Claaaaro que sim! Quer dizer...
(de olho na minha cara de paciente consternada) claro que não.
Quer dizer... O que quer dizer 'grave' mesmo, hein?

disse a mãe da Lia, às 12:43 AM Quer corujar também?



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