Lilypie 6th to 18th Ticker

Ilha de Lia

gracinhas, birras e tiradas geniais (ou: corujices de mãe)



Quarta-feira, Janeiro 28, 2004

Eu era uma criança-ostra (e continuo um adulto-ostra em muitas coisas, mas isso não vem ao caso). Então achava muito normal e previsível ver a Lia, até uns dois anos, interagir numa boa com o povo de casa mas ficar caladinha, ressabiada, com a presença de alguém menos íntimo por perto.

Estranho pra mim (e, sim, uma delícia também) foi quando vi a baixinha mudar de fase e chegar perto dos 3 anos muito segura e conversadeira com quase qualquer pessoa. Ontem mesmo íamos receber a minha amiga Aneyde, que só tinha visto a pequena ainda nas fraldas, e ela ficou na maior empolgação.

Lá pelas tantas, as três comadres de papo no sofá da sala, eu aproveitei a tagarelice pra exercitar minha função de mãe mesmo:

-Lia, lembra do que a gente conversou outro dia? Quando a mamãe está falando com alguém você não pode falar junto, senão ninguém entende nada.

-Ah, mamãe, é que eu falo pelos cotovelos.

disse a mãe da Lia, às 7:01 PM Quer corujar também?


Segunda-feira, Janeiro 26, 2004

Ah...

A partir deste fim de semana, está oficialmente encerrada a temporada de fraldas por aqui.
Foram duas noites acordando orgulhosamente na cama seca (uma delas na casa do Ju!). De ontem pra hoje, um pequeno acidente de percurso, mas nada que abale a empolgação com a novidade.

disse a mãe da Lia, às 10:21 PM Quer corujar também?


E a mocinha me conta que uma amiga rasgou o livro de história.

- Rasgar livro é feio, né, Lia? Não pode fazer isso. Ela rasgou o seu livro sem querer, foi?

- Não. Eu acho que foi 'de hipopótamo' mesmo.

disse a mãe da Lia, às 10:19 PM Quer corujar também?


tempo é relativo

Mamãe, deixa eu ir pra escola hoje com uma roupa diferente? É que eu já usei esse uniforme tanto, tanto...

disse a mãe da Lia, às 10:17 PM Quer corujar também?


Sexta-feira, Janeiro 23, 2004

- Eu quero tomar café na mesa grande.

- Lia, hoje não dá. O papai tem que ir trabalhar logo, a mamãe tem que trabalhar, e você precisa ir pra escola.

- Mas, mamãe, eu não tou com pressa.

disse a mãe da Lia, às 12:33 PM Quer corujar também?


Quinta-feira, Janeiro 22, 2004

De manhã o Felipe inventou uma musiquinha-de-distrair-criança-mal-humorada:

Será que .... (elefante, macaco, papai, mamãe, professora... use a imaginação) bebe água, no cha-fa-riz
repeat, repeat e repeat de novo

Como todo clássico do gênero, não faltou uma partezinha fill-in-the-blanks perfeita para estender a música pelo tempo desejado - no caso, até os sapatos serem calçados e os dois pegarem o caminho da escola - e uma coreografia engraçadinha o suficiente para entreter a fera. A Lia, lógico, parou em dois segundos com a birra e veio toda animada para mim:

Mamãe, a gente tem que tirar uma foto do papai dançando assim.

disse a mãe da Lia, às 8:55 PM Quer corujar também?


Quarta-feira, Janeiro 14, 2004

Em algum momento dos preparativos matinais, mais ou menos entre o café da manhã e a hora de calçar as sandálias, um jogo inteiro daqueles copinhos de encaixar foi parar dentro da minha bolsa esquecida aberta no sofá:

É pra você levar lá pra São Paulo, mamãe, pra brincar com a sua amiga.

disse a mãe da Lia, às 2:37 PM Quer corujar também?


Terça-feira, Janeiro 13, 2004

Hoje a Lia estreou, depois de muita expectativa, o uniforme da escola.
Está orgulhosa de ir para a sala das crianças grandes, e chegou em casa saboreando conquistas: os pulos, tão esperados e treinados nos últimos 6 meses, enfim apareceram pra valer. Os pezinhos saem do chão mesmo, sem mão dada com um adulto nem nada. Também já dá para cuspir a água de verdade depois de escovar os dentes.

Eu às vezes fico meio boba com essa menininha que outro dia era neném, mas tantos progressos não devem espantar alguém que me contou dia desses que com 5 anos vai estar dirigindo um carro.

disse a mãe da Lia, às 9:34 PM Quer corujar também?


hora do café

Olha, mamãe, o queijo tá namorando a goiabada.

disse a mãe da Lia, às 9:27 PM Quer corujar também?


Por aqui nunca tivemos estresse na hora de comer. Lia é taurina e boa (ótima) de garfo. Do brigadeiro à sopa, experimenta tudo sem frescura e curte a hora das refeições.

Foi por isso que eu estranhei quando começaram os bilhetinhos na agenda da escola dedurando que a mocinha tinha recusado a bertalha, a couve e tal. No fim de semana, diante da torta de espinafre do almoço em casa, a novidade: Mamãe, eu não gosto de verdinho. Categórica.

Pelo inusitado do vocabulário (na nossa mesa as verduras atendem pelo nome, não pelo genérico) e outros detalhes apurados no debate que se seguiu, deu pra sacar logo que a questão do verdinho era muito mais social que alimentar. Tipo um traço importante para definir quem é nerd e quem é cool aos 2 anos e pouco de idade, sabe? No refeitório da creche.

Eu (talvez ainda amargando meu longo e irremediável histórico de nerdice na vida escolar), resolvi ficar atenta mas não fazer muito carnaval com a história. Afinal, pelo menos em casa, com discurso ou sem discurso o espinafre acaba sempre sendo comido do mesmo jeito.

Já na vovó Lete, adotaram uma campanha intensiva pró-verdinho. Tática de guerra, mesmo. O resultado eu vi na reunião da escola, quando chegou a mãe de um amiguinho, encantada: Sabe que a Lia convenceu o Ian a comer alface? Ela explicou a ele que era muito bom pra saúde.
(e foi colocando a colher na boca do amigo, segundo a própria me contou mais tarde)

disse a mãe da Lia, às 9:26 PM Quer corujar também?


Domingo, Janeiro 04, 2004

E a pequena toda orgulhosa, me mostrando o jogo que aprendeu com as amiguinhas mais velhas:
Sabe, mamãe, esse jogo é de gente grande.

disse a mãe da Lia, às 10:06 AM Quer corujar também?


Férias de fim de ano, uma viagem cheia de amigos e coisas novas. Na mesa do café da manhã na pousada:

- Lia, depois prova isso que eu coloquei no seu prato. O nome é suspiro.
- Igual do 'cravo brigou com a rosa'?

disse a mãe da Lia, às 10:04 AM Quer corujar também?



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